Joaquim Pessoa

SE O POUCO É PARA ONTEM, O MUITO É PARA SEMPRE.





Vivendo teimosa e conscientemente à margem da feira de

vaidades em que a nossa vida literária há muito se trans-

formou, Joaquim Pessoa nunca renunciou, nem renunciará,

à sua condição de poeta, daqueles que praticam, para usar

uma definição grata aos surrealistas, a mais livre de todas

as liberdades, ou seja, a de escrever, sentir e partilhar poe-

sia. As dezenas de poemas incluídos em "O Pouco é para

Ontem" constituem o retrato de corpo inteiro de um poeta

que há muito se impôs pela sua imensa versatilidade, por

uma poderosa imaginação vocabular, por um invulgar en-

genho imagético e por um domínio oficinal da escrita que,

sei-o de ciência certa, nunca deixou de incomodar alguns

influentes "poetastros" que montaram banca mesmo à por-

ta do nosso triste Hospital das Letras, para o qual não exis-

te Serviço Nacional de Saúde que chegue.

Joaquim Pessoa é um poeta que leu muitos poetas e que,

exactamente por nunca ter deixado de o fazer, cedo encon-

trou a sua voz própria e intransmissível, o timbre inconfun-

dível que nos permite dizer que só ele poderia ter escrito

este ou aquele poema e também a capacidade única de fa-

zer alternar a ironia com a mais intensa e comovida afecti-

vidade, bem como o exercício da memória com o gosto de

dizer futuro como ainda ninguém o disse.

 

*

 

Escritor José Jorge Letria,

(Presidente da Sociedade

<p style="\\\\&quot;text-align:" justify;\\\\"="">Portuguesa de Autores)